As famosas cartas de tarô compõem um baralho de 78 cartas e faziam parte de um antigo jogo criado no norte da Itália entre os séculos XV e XVI. Os tarôs passaram a ser utilizados na previsão do futuro a partir do século XVIII. Aparentemente, os tarôs não possuem nenhuma ligação com a ficção científica, porém, não é o que dizem os cientistas…
Em 2001, a revista Galileu publicou uma matéria um tanto curiosa. Tratava-se nada mais nada menos que uma discussão sobre o fim da ficção científica. E explicações foi o que não faltaram aos cientistas, os reais defensores deste pensamento. Segundo estes pesquisadores, a ficção científica está perdendo seu fôlego, pois não é mais possível prever o futuro como se fazia antigamente. Isaac Asimov falava de uma espécie de biblioteca mundial onde todos poderiam contribuir para a formação de seu conteúdo. Asimov acertadamente previu o que hoje conhecemos como Wikipédia. Com o passar dos anos essas previsões foram acabando e de acordo com os cientistas a ficção científica não será mais capaz de prever o futuro. Afinal, um escritor pensa em uma idéia sobre a existência de uma sociedade com tecnologia “X” nos computadores. Em seguida, o autor começar a desenvolver a sua história e personagens e, ao seu término, procura uma editora para avaliar e decidir se publicará sua obra. Até que todo esse processo citado ocorra, os cientistas ao descobrirem a tecnologia “X” existente nos computadores isto chegará em questão de segundos ao público devida a velocidade dos meios de comunicação. O exemplo citado prova nos dias de hoje é impossível a ficção científica prever o futuro. A pergunta que fica é: estaria realmente a ficção científica com seus dias contados?
É uma pena, mas os cientistas demonstram não reconhecerem o real valor do gênero subestimando sua força e potencial. Asimov não pretendia prever o futuro em seus mais de 400 contos e romances futurísticos. Para os desavisados pesquisadores, a ficção científica é a representação do passado e presente em uma sociedade futura. Confuso? Vamos lá. Em Admirável Mundo Novo (de Aldous Huxley) vemos a representação de uma sociedade que prega o seguinte dilema “Comunidade, Identidade, Estabilidade”. Na trama, o Estado utiliza dos avanços biológicos para criar indivíduos predestinados a determinadas tarefas dividindo-os por classes. Determinada classe é acostumada com o trabalho físico, pois os embriões foram submetidos a um aquecimento além do normal. Esta mesma classe possuí um cérebro menos desenvolvido pois o embrião não recebeu a quantidade de oxigênio que deveria. Se pararmos para pensar um pouco será mesmo que Huxley estava tentando prever o futuro? Ora, o sistema de castas existe há muito tempo na Índia, antes mesmo do autor cogitar a possibilidade de escrever sua obra. E se não quiserem se limitar ao oriente podemos pegar o ocidente como exemplo, mais especificadamente o Brasil. Não temos um sistema de castas, muito menos uma biologia tão avançada como a criada pela sociedade de Huxley, porém o governo não cria condições apropriadas para que as classes mais inferiores possam “crescer” e usa de uma estratégia bem simples presentes em vários filmes hollywoodianos que é comover várias pessoas com a história de um garoto pobre que vence na vida livrando assim a culpa. Isso prova que a ficção não está interessada em prever o futuro, mas sim tratar dos problemas do presente utilizando de um mundo alternativo em que este problema se agravou e chegou a um estado grave. Diferentemente dos outros gêneros literários, a ficção científica utiliza do avanço tecnológico como fonte para desenvolvimento de suas obras e consequentemente suas respectivas críticas sociais. É daí que surgem os diferenciados subgêneros, dentre eles podemos citar os mais famosos: o cyberpunk (relacionado ao desenvolvimento das “máquinas”), o biopunk (desenvolvimento biológico) e o steampunk (também conhecido como retrôfuturismo ou a junção de passado, presente e futuro em uma mesma época), dentre outros.
Deixo que vocês, após lerem este texto concluam por vocês mesmos se a ficção científica realmente deve receber o rótulo de “previsão do futuro” e entrar na categoria das famosas cartas de tarô utilizadas pelo esoterismo moderno, a cabala, a astrologia e a alquimia medieval. Os já citados Isaac Asimov e Aldous Huxley juntamente com Júlio Verne, H.G Wells, Arthur C. Clarke e John Brunner (só para ficar nestes exemplos) deveriam então ser considerados apenas “videntes”? Ou eles merecem algo mais, assim como suas respectivas obras. A resposta, meu amigo, está perdida no espaço e no tempo…
Fábio,
Obrigado pela informação. Já realizei as respectivas mudanças.
Atenciosamente,
Rafael Camargo de Oliveira
Só um toque: é John BRUNNER, e não BRUMMER. O sujeito foi um grande autor, infelizmente não publicado no Brasil, mas que vale a pena ser lido. Recomendo Stand on Zanzibar, que já virou um clássico.
http://en.wikipedia.org/wiki/John_Brunner_(novelist)
No mais, bom trabalho e abraços!