Olá a todos os confrades!

 O blog da Loja de Goiás está de volta a ativa e queremos convidar a todos aqueles da região que desenvolvem seus textos e/ou projetos relacionados ao subgênero de ficção científica SteamPunk. Se você se encaixa nesse perfil, clique abaixo para continuar a leitura.

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Categoria(s): SteamPunk | Tag(s):

O tempo existe?

A Ficção Científica tem como maior ferramenta o fator tempo. Passado, presente ou futuro, ou talvez todos eles juntos compõem as várias vertentes da Ficção Científica. Mas a pergunta que fica é: O tempo, ele realmente existe? Seria fruto de nossa imaginação? Afinal, ele é relativo. Ora, quando se exerce uma atividade, dependendo da disposição e da pessoa, aquilo poderá durar uma eternidade, ou dependendo poderá durar apenas alguns minutos. Será que o meu tempo é diferente do seu? Ou será que não existe tempo. Como diria Neil Gaiman em um de seus contos, ”o tempo é fluído por aqui”.

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“Vamos mudar o mundo?” – Essa é uma questão sempre presente na cabeça das pessoas, principalmente naquelas mais jovens e que se nutrem de esperança graças a ideais considerados pelos leigos como revolucionários. Sendo assim, a mudança vem de uma palavra em especial, a chamada “revolução”. É daí que temos fatos históricos, como o dia 1º de janeiro de 1959 que foi marcado pela derrubada do ditador Fulgêncio Batista e a tomada do poder de Fidel Castro na famosa Revolução Cubana. Ainda podemos destacar a Revolução Francesa em 1789 e 1799, de cunho social, científico e artístico, além da Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX. A pergunta que fica é: o que realmente caracteriza as mudanças do mundo? E o que faz acontecer essas constantes evoluções? São essas perguntas que serão respondidas (ou pelo menos tentadas) pelo cérebro humano que é movido por um fator importante chamado “Tempo” e a sua relação com o subgênero literário SteamPunk e a Ficção Científica.

O fator tempo é o responsável pelas inúmeras mudanças. Várias pessoas ou grupos no final irão compôr um conglomerado maior e receberá o título que o senso comum chama de revolução. A Ficção Científica em si trata, a partir de seus subgêneros, dessas inúmeras mudanças e seus respectivos resultados, sejam eles positivos ou negativos e seu protagonista e/ou antagonista sempre é o tempo. A FC tem o apoio dos seus subgêneros para reforçar a importância temporal na vida do homem. Indo mais a fundo, a subdivisão da FC que mais representa as mudanças constantes é o SteamPunk. Ao nos perguntamos “por quê?”, a resposta é a seguinte: O subgênero SteamPunk é a junção de elementos do mundo contemporâneo com os elementos da Era Vitoriana, sendo assim, em sua essência, o SteamPunk (que remete a Vapor, logo, Séc. XIX) é a influência do passado agindo na construção do futuro. Dessa forma, a definição do SteamPunk apenas como uma manifestação artística que faz a junção de elementos atuais com a Era Vitoriana em especial não é válida, pois em sua essência, o SteamPunk, também está relacionado a forma como o mundo sofre suas mudanças. Mudar o mundo, revolucionar, progredir, entre outros termos. Todas essas expressões utilizadas pela ciência tem base no tempo, pois é a partir do que aconteceu no passado que será feito o futuro. Um exemplo para explicar este processo pode ser feito com a famosa “teoria da relatividade”, de Albert Einstein. A teoria de Einstein não surgiu do nada, pois ele estudou várias outras teorias, físicos e filósofos como Isaac Newton (Física Mecânica) e Galileu Galilei (precursor da revolução científica). Para se formar um conceito é preciso juntar vários outros, ou seja, é preciso voltar ao passado para criar o futuro. O filósofo Heidegger diz que o ser humano não vive do presente, mas do passado e futuro, pois uma ação que seria pensada neste exato momento já não existe mais, tornando-se passado e as ações tomadas remetem ao futuro. O presente, para Heidegger é praticamente inexistente, sobrando o passado e o futuro, tratado de forma sublime pelo retrofuturismo, mais conhecido como SteamPunk.

A complexidade da mente humana nos torna escravos de nós mesmos, presos ao tempo, mais precisamente, futuro e passado. Em outras palavras, quem faz o tempo é a mente humana, sendo esta a mesma responsável por fazer o mundo girar, acontecer suas respectivas mudanças, sejam elas na história com suas revoluções políticas, na ciência com o surgimento de várias tendências da genética, na arte com seu novo modelo associado às últimas criações tecnológicas. E ao final disso tudo, o tempo, protagonista/antagonista absoluto que o ser humano tem em suas mãos acaba por se tornar livre, saindo de nossas mãos e nos fazendo escravos dele. Esse é um paradigma que a humanidade enfrenta, mas a questão inicial é o foco deste texto. Como pergunta final, o que acham de mudarmos o mundo?

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As famosas cartas de tarô compõem um baralho de 78 cartas e faziam parte de um antigo jogo criado no norte da Itália entre os séculos XV e XVI. Os tarôs passaram a ser utilizados na previsão do futuro a partir do século XVIII. Aparentemente, os tarôs não possuem nenhuma ligação com a ficção científica, porém, não é o que dizem os cientistas…

Em 2001, a revista Galileu publicou uma matéria um tanto curiosa. Tratava-se nada mais nada menos que uma discussão sobre o fim da ficção científica. E explicações foi o que não faltaram aos cientistas, os reais defensores deste pensamento. Segundo estes pesquisadores, a ficção científica está perdendo seu fôlego, pois não é mais possível prever o futuro como se fazia antigamente. Isaac Asimov falava de uma espécie de biblioteca mundial onde todos poderiam contribuir para a formação de seu conteúdo. Asimov acertadamente previu o que hoje conhecemos como Wikipédia. Com o passar dos anos essas previsões foram acabando e de acordo com os cientistas a ficção científica não será mais capaz de prever o futuro. Afinal, um escritor pensa em uma idéia sobre a existência de uma sociedade com tecnologia “X” nos computadores. Em seguida, o autor começar a desenvolver a sua história e personagens e, ao seu término, procura uma editora para avaliar e decidir se publicará sua obra. Até que todo esse processo citado ocorra, os cientistas ao descobrirem a tecnologia “X” existente nos computadores isto chegará em questão de segundos ao público devida a velocidade dos meios de comunicação. O exemplo citado prova nos dias de hoje é impossível a ficção científica prever o futuro. A pergunta que fica é: estaria realmente a ficção científica com seus dias contados?

É uma pena, mas os cientistas demonstram não reconhecerem o real valor do gênero subestimando sua força e potencial. Asimov não pretendia prever o futuro em seus mais de 400 contos e romances futurísticos. Para os desavisados pesquisadores, a ficção científica é a representação do passado e presente em uma sociedade futura. Confuso? Vamos lá. Em Admirável Mundo Novo (de Aldous Huxley) vemos a representação de uma sociedade que prega o seguinte dilema “Comunidade, Identidade, Estabilidade”. Na trama, o Estado utiliza dos avanços biológicos para criar indivíduos predestinados a determinadas tarefas dividindo-os por classes. Determinada classe é acostumada com o trabalho físico, pois os embriões foram submetidos a um aquecimento além do normal. Esta mesma classe possuí um cérebro menos desenvolvido pois o embrião não recebeu a quantidade de oxigênio que deveria. Se pararmos para pensar um pouco será mesmo que Huxley estava tentando prever o futuro? Ora, o sistema de castas existe há muito tempo na Índia, antes mesmo do autor cogitar a possibilidade de escrever sua obra. E se não quiserem se limitar ao oriente podemos pegar o ocidente como exemplo, mais especificadamente o Brasil. Não temos um sistema de castas, muito menos uma biologia tão avançada como a criada pela sociedade de Huxley, porém o governo não cria condições apropriadas para que as classes mais inferiores possam “crescer” e usa de uma estratégia bem simples presentes em vários filmes hollywoodianos que é comover várias pessoas com a história de um garoto pobre que vence na vida livrando assim a culpa. Isso prova que a ficção não está interessada em prever o futuro, mas sim tratar dos problemas do presente utilizando de um mundo alternativo em que este problema se agravou e chegou a um estado grave. Diferentemente dos outros gêneros literários, a ficção científica utiliza do avanço tecnológico como fonte para desenvolvimento de suas obras e consequentemente suas respectivas críticas sociais. É daí que surgem os diferenciados subgêneros, dentre eles podemos citar os mais famosos: o cyberpunk (relacionado ao desenvolvimento das “máquinas”), o biopunk (desenvolvimento biológico) e o steampunk (também conhecido como retrôfuturismo ou a junção de passado, presente e futuro em uma mesma época), dentre outros.

Deixo que vocês, após lerem este texto concluam por vocês mesmos se a ficção científica realmente deve receber o rótulo de “previsão do futuro” e entrar na categoria das famosas cartas de tarô utilizadas pelo esoterismo moderno, a cabala, a astrologia e a alquimia medieval. Os já citados Isaac Asimov e Aldous Huxley juntamente com Júlio Verne, H.G Wells, Arthur C. Clarke e John Brunner (só para ficar nestes exemplos) deveriam então ser considerados apenas “videntes”? Ou eles merecem algo mais, assim como suas respectivas obras. A resposta, meu amigo, está perdida no espaço e no tempo…

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A Revirada Cultural tem como objetivo fomentar e divulgar a diversidade cultural goianiense, promovendo o intercâmbio entre os agentes da cena cultural de forma a inserir o produtor cultural em um mercado que ele possa ser sustentado pelo próprio talento.

O evento está acontecendo durante todo o mês de Agosto e cada dia é preenchido com um tema diferente. Para domingo ficou reservado um dia nerd, voltado para literatura, filmes, quadrinhos e outras manifestações culturais.

É neste contesto que – como pode ser visto no site de eventos SteamCon.com.br – é inaugurada a Loja Goiás do Conselho SteamPunk, que será representada por Rafael Camargo, Lorenna Isabella e Guilherme Camargo, através de uma palestra que vai cobrir questões sobre o gênero que vão desde a literatura até a moda.

Revirada Cultural

Palestra da Loja Goiás do Conselho SteamPunk
Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro

Rua 3, esquina com a Rua 9, nº 1016 – Centro/Goiânia-GO
O local possui um teatro com capacidade para 291 pessoas, um cinema com capacidade para 217 pessoas, um café cultural, uma loja e um espaço para prosa e verso (aparelhada com Lan House e uma biblioteca).
Data: 22 de Agosto de 2010 – Domingo
Horário: 14hrs

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